Introdução

     Tornando-nos ouvintes das queixas de milhares de homens assombrados pelo fantasma das disfunções sexuais, foi impossível deixar de sensibilizar-nos com o profundo sentimento de solidão que se abate sobre eles. Tal sensação acreditamos, pode ser abrandada, simplesmente, pelo esclarecimento de que a possibilidade de cura é real.

    Nos dias atuais, em decorrência da evolução contínua dos medicamentos, do aprimoramento das técnicas cirúrgicas e dos excelentes resultados obtidos pelas técnicas de psicoterapia, as disfunções sexuais são passíveis de altos percentuais de resolução.

    A dificuldade para iniciar o tratamento, seja por falta de oportunidade, vergonha ou medo de enfrentar os resultados é o grande obstáculo a ser vencido.

    Como ocorre em qualquer doença, o tempo decorrido entre o início dos sintomas e o início do tratamento apresenta uma relação direta com os resultados obtidos. Assim sendo, é importante  iniciar o tratamento o mais rápido possível. No entanto, não é raro encontrarmos pacientes com disfunções sexuais há  dezenas de anos sem terem recorrido a um tratamento adequado.

    Primeiramente, para desfrutar de uma perfeita saúde sexual torna-se fundamental conhecer alguns conceitos  básicos.

Contexto Sóciocultural

    Sendo desprovida de garras ou presas, que a colocassem em igualdade de condições de sobrevivência com os demais animais, a espécie humana encontrou sua força no convívio com seus semelhantes. Através de um processo constante do aprimoramento na convivência tribal, um complexo modelo social foi desenvolvido. Com o desenvolvimento de seu intelecto e organização social a espécie humana, apesar de ainda manter alguns instintos primitivos, acrescentou, ao ritual de acasalamento, diversos fatores ligados à esfera social e emocional.

    Ao longo de milhares de anos, regras e padrões de comportamento foram estabelecidos. No decorrer do tempo, o sexo ocupou o seu espaço variando entre extremos, foi exaltado como objeto de fertilidade e padrão social e também condenado como símbolo do pecado. O espécie humana transformou uma simples ação biológica em uma das maiores fontes de conflitos emocionais.

    Em relação ao comportamento biológico, um importante aspecto merece consideração. Nas diversas espécies animais, os estímulos que despertam o interesse sexual entre macho e fêmea, são bem definidos e imutáveis. A época do acasalamento, embora sofrendo variações nas diversas espécies, compreende um determinado período de tempo e se repete em estações bem marcadas. Alterações hormonais preparam a fêmea para a reprodução. Odores e atitudes específicas sinalizam ao macho tal disponibilidade. A cópula tem o objetivo primordial da reprodução e conseqüente perpetuação da espécie. Na formação dos casais, macho e fêmea também atendem a diferentes responsabilidades perante a natureza. O macho deve fecundar o maior número possível de fêmeas garantindo o aumento quantitativo de seus semelhantes. A disputa entre os machos, na época do cio, permitirá que a fêmea acasale com o macho mais forte, garantindo o aumento qualitativo da espécie.

    A espécie humana apresenta peculiaridades. Nela as fêmeas são receptivas aos interesses sexuais do macho em qualquer época do ano, independentes do período férteis. A prática da atividade sexual manifesta-se também como fonte pura e simples de prazer. 

    Os conceitos de atos e procedimentos sexuais considerados como normais e aceitáveis,  são definidos pela Sociedade. 

    Os estímulos que despertam o interesse sexual também sofrem influências socioculturais. Em determinadas tribos primitivas, um pescoço, exagerado e artificialmente alongado, pode ser considerado extremamente atrativo. A Cultura Americana valoriza os seios, a Brasileira o bumbum, como atrativos que despertam o interesse sexual. 

    Até mesmo entre os dois sexos existem algumas diferenças em relação à resposta aos estímulos sexuais,. Alguns estímulos podem ser altamente excitantes para uma mulher e não tão fortes para o homem e vice-versa.

Resposta aos Estímulos Sexuais

    Para um perfeito entendimento das disfunções sexuais é necessário conhecer de que forma os organismos masculino e feminino respondem aos estímulos sexuais.

    A resposta aos estímulos sexuais foi estudada por diversos pesquisadores: Master e Johnson, Helen Kaplan, Wenger, Jones, entre outros. Cada um desses autores dividiu a resposta sexual humana, de acordo com o seu entendimento, em fases sucessivas, desde a excitação até o orgasmo. Neste site, não abordaremos tais divisões na sua forma clássica.

    Desejo Sexual

    O primeiro fator é o desejo sexual, medicamente denominado libido. A libido faz a pessoa desejar a outra e querer realizar o ato sexual. 

    Conforme abordaremos em capítulo mais adiante, é natural que o desejo sexual varie de intensidade, a mediada que o indivíduo envelhece. O desejo também é variável de acordo com as características e personalidade de cada um. 

    A libido está exacerbada quando existe um maior comprometimento afetivo entre o casal e diminuída em condições contrárias e situações  de estresse.

    Com relação às diferenças dentre homem e mulher, também aqui existem peculiaridades. Os fatores que podem despertar o desejo em homens não são necessariamente os mesmo que o fazem nas mulheres. Os homens são mais sensíveis aos estímulos visuais e à manipulação direta da área genital. As mulheres, embora também sensíveis aos mesmos procedimentos, podem ser mais estimuladas por sensações táteis suaves dirigidas à várias outras áreas do corpo.

    O desejo é provocado pela atuação de determinadas substâncias, chamadas neurotransmissores, que atuam no sistema nervoso.  A testosterona também está envolvida com a manutenção da libido. Alterações que afetem esses elementos comprometem a libido levando ao desinteresse pela atividade sexual. 

    Excitação

   No homem, a estimulação sexual leva à ereção peniana. A ereção é uma resposta do pênis aos estímulos, que podem ser uma imagem, lembranças, sons ou a manipulação direta dos órgãos genitais. 

    Na mulher, a estimulação sexual provoca um maior acumulo de sangue na região genital, com aumento do clitóris e  lubrificação vaginal.

    Diferentes estímulos desencadeiam a excitação de modos diferentes. No homem, a estimulação local nos órgãos genitais provocam sensações que irão desencadear ereções ditas reflexogênicas. (causadas através de um reflexo nervoso). Estímulos que envolvem uma elaboração psíquica, tais como: uma imagem, lembranças, um odor, determinadas palavras ou sons, etc., desencadeiam ereções ditas psicogênicas. 

    Como vimos, o homem apresenta uma receptividade maior aos estímulos dirigidos ã área genital.  Por outro lado a resposta sexual feminina pode ser desencadeada por estímulos distribuídos em diversas outras áreas do corpo.

    O "tempo" exigido para que homens e mulheres se excitem também é diferente. Usualmente, o homem se excita rapidamente enquanto na mulher  ocorre de uma forma   progressiva e  mais lentamente. Conforme veremos a seguir, o não entendimento destas diferenças por parte do homem, pode levar a dificuldades da mulher em atingir o prazer na relação.

     Fase de Platô

    A chamada fase de platô pode ser compreendida como o período de tempo onde a excitação permanece em seu ponto máximo.

    Fase orgásmica

     O orgasmo é a sensação de prazer que culmina a relação sexual.  Seu mecanismo é complexo e sem sombra de dúvidas sofre influência do condicionamento psicológico do indivíduo. 

    No  homem o orgasmo, geralmente, ocorre simultaneamente à ejaculação. Todavia pode ocorrer ejaculação sem orgasmo e vice-versa. A ejaculação caracteriza-se pela saída de esperma através da uretra,  promovida pela contração espasmódica de determinados músculos existentes na região perineal.

    Fase de Resolução

    Após o orgasmo, sobrevêm uma sensação de relaxamento intenso em todo o corpo. As modificação orgânicas sofridas pelos órgãos genitais durante a excitação regridem ao seu estado normal. O pênis readquire seu estado de flacidez em poucos minutos. 

    O Período Refratário

    Depois do orgasmo e da ejaculação, o homem apresenta o que chamamos de período refratário. Durante um certo período de tempo não é possível uma nova excitação sexual que consiga produzir outra ereção. A duração do período refratário é variável de homem para homem e aumenta com a idade do indivíduo, podendo compreender desde alguns minutos no caso de adolescentes, até horas ou mesmo dias e homens idosos.  A mulher não possui essa característica sendo, algumas,  capazes de apresentar diversos orgasmos consecutivos. (orgasmos múltiplos).

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